terça-feira, 17 de novembro de 2009

I got my fun

Pronto!

Foi longe que te voltei a ver e foi longe que nos vimos e de longe que nos sentimos.
E sabes tu, tão bem como eu que o que sabemos é o que sabemos e que por muito que corram outras pessoas, estão a anos luz do que nós sabemos mesmo que estejam ali ao lado … e naquela tua maneira de falar dizes “I got my fun”!

Eu sei que o que vês é de longe o que não se vê, o que eu vi foi de longe o que esperei ver, é um misto de felicidade, saudade, arrependimento, é outra vida que parou ali no momento em que resolvemos que ficava por ali…

Se a escolha foi a melhor …?

Não sei nem é isso que me move para voltar a ver o sorriso que me trouxe esperança … não foi uma fase boa para nenhum dos dois, mas foi uma fase necessária, a mim fez-me falta a tua presença quase devastadora e agora confesso que as horas de voo apesar de poucas pareceram-me uma eternidade, roí as unhas e ia com um frio na barriga que tentava por tudo disfarçar … e, quando te vi depois destes anos todos pareceu-me que foi ontem a ultima vez que te vi em Columbus Av. … sabes que o gesto característico de segurares o cigarro não alterou um único milímetro?

Foi essa a imagem que guardei e foi com essa imagem que te vi ao longe e te reconheci.
Agora a imagem que guardo até há próxima vez é a mesma só que desta feita o cenário é a Duomo de Milão!

Até breve.



quarta-feira, 21 de outubro de 2009

For U2

Lambidas as feridas.

Varridos os cacos.

Sacudida a poeira.

Secas as lágrimas.

Afastados os tormentos.

Limpos os riscos …

O primeiro momento em que me recuperei e te vi surgir das trevas veio por “sms” e de longe, tão longe como estás agora …

Tu - “Em 2010 vou Found What I'm Looking For …”
Eu- “2009 não está a ser famoso”
Tu – “ter 2 bilhetes para os U2 dá-te alguma ideia?”
Eu- “filho da mãe, como é que conseguiste?”
Tu – “Se fosse tudo assim tão fácil…”
Eu – “perdia a graça, diverte-te no concerto!”
Tu – “Uma para mim outro para ti …”
Eu – “Já achei mais graça aos U2 …”
Tu- “Eu também …”
Eu – “Estupor!”



The Unforgettable Fire - U2
(continua a ser esta?)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

...

Hoje, foi-se um bocadinho de mim ...
Das minhas recordações, das minhas lembranças ...

Estou triste e não sei o que te dizer para te confortar ... esta é a música que sempre escolhemos e cá está ela ... sou eu que te vou buscar e não sei o que te vou dizer ... espero que um abraço contenha todas as palavras que a voz embargada não vai conseguir dizer ...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

E porque sim

Hoje só por hoje e porque o hoje é grande e bom,
e porque várias famílias dignas o reclamaram, com toda a legitimidade,
e porque hoje há uma promessa de dia que promete,
e porque é Setembro,
e porque em Setembro há limpeza,
e porque é o nosso hino,
e porque por aqui tem sentido este som,
e porque somos tolos e bons,
e porque mais vale isso que ser esperto e mau,
e porque todos os apontamentos da mesa do talho estão feitos e hão-de vir à luz do dia, não me chame eu FacaAfiada,
e porque tendes cuidadinho,
e porque vamos para Marrocos, olé se vamos,
e porque é em Marrocos que me sinto em casa,
e porque gosto do silêncio,
e porque não me incomoda,
e porque rir é bom,
e porque chorar a rir ainda é melhor,
e porque sim,
e porque somos grandes (eu sou pequenina mas só em tamanho!)
e porque vou estrelar ovos no capôt do Tamagotchi,
e porque hei-de comer teftef até me esquecer,
e porque as estrelas brilham tanto que me faz doer a alma,
e porque me vai cheirar a menta,
e porque gosto,
e porque quero,
e porque sim!




Still this pulsing night
A plague I call a heartbeat
Just be still with me
Ya wouldn't believe what
I've been thruYou've been so long
Well it's been so long
And I've been putting out the fire with gasoline
Putting out the fire With gasoline

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Ainda a Cerimónia

Estava eu (na noite antes da 2ª cerimónia de casamento dos amigos) a pregar aos outros amigos …
Defendia eu que não achava nada mal esta ideia de se casarem outra vez:


Eu- Eh pá mas se eles querem, se descobriram que fizeram merda da primeira vez e estão dispostos a tentar outra vez, qual é o problema??
A M – Cala-te com a lengalenga é preciso casar, juntavam-se e estava arrumada a história!
O P – Eu também não acho mal esta ideia, a probabilidade de estarmos aqui, juntos, a discutir merdas era muito menor!
A M – E se dá mal outra vez?
Eu – Deves ter muito a ver com isso …
O R – É bonito sim senhor, agora é de festa e lá estamos nós para limpar fundos!
O P – É bonito, e gajas vai haver à descrição?
A M – Gajas há sempre à descrição é preciso é saber comer …
Eu – A primeira todos caem … à 2ª só cai quem quer, e eles querem!
A M - … e à 3ª só já cai quem é parvo e nós estamos cá para passar o atestado!
Mas vocês acreditam no Pai Natal?
Eu – Estás aqui porquê? Porque acreditas em alguma coisa, pelo menos na amizade, não?
A M – Aproveito os bons momentos com os bons amigos que tenho! Mas não acredito puto no casamento, fantochada do catano! Acreditam que a molhada que vimos acontecer não distorce as cabeças? Porra, casamento?! Vocês acreditam nisso?
O P – Mas queres que fale de quê do casamento como instituição? F%&”-se é uma grande merda!
A P – Gajos já de meia idade, encalhados a falar …
O R – F%&”-se antes ser o Tolan a vida toda a casar-me … tenho mesmo jeito para estas merdas!
A M - Não tens é quem te queira pegar!
O R – gosto da teoria, pegar por umas horas e largar logo!
A P – Nunca na vida te vais casar, eu nunca na vida vou ter o prazer de te ver casado!
O P – Se algum dia essa besta se casar faço-lhe uma puta de uma despedida e o casamento há-de ser a liturgia dos anjos! Memorável o espectáculo! Não éramos capazes de nos vestir de anjinhos para reforçar a ideia que esta besta é um Santo??

Ahahhahahhaha

Isto foi um resumo da noite antes, sem sabermos os noivos tinham preparado algumas surpresas, e sem sabermos acredito que todos nós depois da cerimónia de casamento alteramos algumas ideias, alguns preconceitos. O casamento é uma celebração, este casamento foi a celebração da confiança, da amizade, da boa disposição, os noivos conseguiram emocionar até os mais resistentes!

Já ser à beira do mediterrâneo tem pelo menos 2 pontos a favor, não haver dress-code tem mais uns 4 pontos, os noivos chegaram de bicicleta arrebatou 6 pontos e a entrada ser ao som de I will survive - Gloria Gaynor, para além de por toda a gente a rir fez toda a gente ter vontade de começar a dançar … a mim que era a madrinha do noivo coube-me ler, coisa que adoooooro! Tremia das pernas e das mãos e quando começo a ler, não sabia se havia de rir se havia de chorar começava assim:

“Aproveitando a ocasião que aqui estamos tomos, vamos despachar isto que estamos cheios de vontade de dançar até largar os sapatos para um canto e cair estoirados no chão…”

É claro que a cerimónia foi informal, pelo civil, mas ainda assim não foram cumpridos quaisquer requisitos! Ainda bem!

No fim da noite já de regresso cruzaram-se estas palavras:

A P – Por este andar até o R se casa um dia destes!
O R – A ser assim caso-me com a garantia de que não é só uma vez!




Resolvi por este video, de um casamento real, que me apaixonou (podem chamar-me pirosa!), que me emocionou e que reflete o espirito que os noivos (meus amigos) conseguiram que também no casamento deles raiasse dos presentes, foi a celebração da amizade genuína!
É verdade dançamos até dia nascer e eu estive 2 dias sem me conseguir mexer das pernas!

Mais uma vez felicidades aos noivos.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Cerimónia

E quando no meio de uma cerimónia de casamento me é sussurrado ao ouvido:

- Esta podia muito bem ser a nossa história!

O que vale é que estava vento, corria aquela brisa aconchegante do mediterrâneo , que agrada no calor que abraça no fresco … corria a brisa e eu fiquei quieta e deixei que a corrida da brisa leva-se aquela frase para longe …

- Ouviste?
- Não!
- Podia não podia?
- Não!
- Estou a incomodar-te o sossego?
- Estás!
- Porquê?
- Porque respiras!

Sempre gostei da brisa do mar, mesmo quando é fria é boa!
Ali, naquele momento a brisa era quente, mas só a brisa é que, para mim, era quente … eu estava quase gelada tinha aquela sensação de não sentir as pernas até ao joelhos, do frio que sentia. Nem sempre o que aconchega o corpo, aconchega a alma!

Porquê?

Não sei porquê! Não sei quantos porquês me gelaram naqueles instantes, foram alguns … sem pensar muito posso enumerar uns 4, uns recentes outros mais antigos, uns daqui outros de longe … se os porquês interessarem … se eles interessassem … se contassem para alguma coisa …

Brinde aos noivos!

Que esta segunda vez seja a ultima!

Não precisam de casar mais vezes só para podermos ver o por do sol no Café del Mar … e para mergulharmos no oceano … e para que as verdades não incomodem … e para rir à parva sem parar, até doer a barriga … e para convocarmos o António Variações à mesa de combate com o “Estou além” …

Bom pensando melhor se for só por estes motivos, meus amigos voltem a casar as vezes que quiserem!

Felicidades


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

E por fim as férias ...


Lista # 35
Aqui dancei e cantei como se estivesse outra vez lá no ponto de partida que almejou estas memórias, uns canadianos que estiveram presentes durante as minhas férias foram contagiados … e fechámos um fim de tarde na praia a cantar e começamos uma noite em Montego Bay a pedir Boss no Margaritaville.
Guardo na memória o dia em que nos vestimos de calças de ganga bem justinhas, t-shirt branca, colocamos um lenço vermelho, calçamos umas botas e lançamo-nos num concerto que pelos vistos retemos na memória passados estes anos todos!
Não foi o melhor que vi, mas pelo o grupo que o integrou foi talvez o que mais me marcou.
À T. obrigada minha pikena bactéria de laboratório.






Lista # 2024
Não fossem os números, não fosse a entrada, não fosse a saída, não fosse nada e era tudo, fosse um bocadinho de tudo e era nada …
Aqui parei, ouvi, desliguei-me, voltei a ouvir, senti, voltei, desliguei, desliguei-me, quase ligue, fiquei lixada, arrependi-me, arrepiei-me, gostei, gostei muito, cantei … praguejei … paraguejei tanto!
Lembrei-me tanto das saídas às quartas e quintas, ora alcântara ora plateau … dos pequenos almoços de “croasanter com fiamber e leite achicolatado” ou de ir a ripar a um desayuno onde entretanto se esgotava o reportório… cenas que ficam cravadas a navalha,
Bad case of loving you - Robert Palmer (muito bad case!)
Down Under - Men at Work (o que tu gozavas sempre por eu gostar desta música!)
Tainted Love- Soft Cell (I’ve got to runaway …)
"karla with a k" - the hooters (aposto a vida como quando cravaste com esta pensaste, que merda de pirosada esta! Ahahah)
Your Love -The Outfield
Who Can It Be Now - Men At Work
Turn me loose – Loverboys
Centerfold - J. Geils Band
I Want You To Want Me - Cheap Trick
Mission a Paris – Gruppo Sportivo
Show Me The way- Peter Frampton (ainda fazes aquela entrada de Pato Donald?)
OverKill - Men At Work
A Walk On The Wild Side – Lou reed (… hey baby take a walk on the wild side …)
We Built This City – Starship (Escadinhas da praia …)
All I Need Is A Miracle - Mike & The Mechanics (eu diria que são necessaries vários milagres!)
Right Between the Eyes – Wax (como?!?!?)
Laugh and walk away - The shirts (como eu adoro isto! Sim ainda faço a performance!! )
She Sells Sanctuary - The Cult (pure Cult)
LOVE LIKE BLOOD - KILLING JOKE
Gostei de recordar todas, gostei de me recordar em todas, escolhi esta em especial pelas juntas de dilatação e em homenagem sincera às mesmas, estradas sem juntas de dilatação fazem a diferença …






Claro que das primeiras coisas que fiz quando cheguei foi perguntar-te sobre a paciênciazinha a que te deste, ao que tu respondeste:
- Nada, só fiz “copy paste” da grande colectânea REMEMBER Alcântara – MAR!
- Previsível!


PS: Estou aparcada no meio do mediterrâneo, avisaram-me que havia de ficar enjoada até às entranhas por estar agarrada ao portatil em maré alta a fazer este post, não liguei nenhuma ... fiz mal, estou a 3 segundos de ir carga ao mar ... prometo que da próxima oiço os experts!
Agora diz que só passa se me deitar na proa, fosga-se só a mim!
Até breve!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Férias # 2

Ainda as férias …
Houve listas criadas no meu Ipod muito boas, coisas que me fizeram pensar “porra afinal não sou só eu que me lembro das coisas, não é só a mim que as coisas marcam, que estas vivências marcaram…”
Pedi que as listagens tivessem numeros não sequênciais para que o meu subconsciênte não me pregasse a rasteira e identificasse logo.


Lista # 91
Nesta lista chegaram-me as lagrimas aos olhos, não tive logo a imagem de quem a teria feito durante a primeira musica porque havia um universo de pelo menos 3 pessoas que o poderiam ter feito … o meu palpite concluiu-se na segunda!
E depois o numero da lista 91, o ano em que eu e a pessoa que criou a lista entramos na faculdade, percurso em que essa pessoa tantas vezes foi a bengala que precisei e vice versa …
Obrigada D.!









Lista # 007
Nesta lista não tive duvidas, as pretenções a cantora pouca gente as conhece e esta pessoa conhece-as bem … e sem dúvida a escolha que fez caí na selecção de musicas que canto sempre, desde sempre …
Pronto já sei tenho de mandar uns tragos senão não afino o piu!
Com pena minha ando mais no registo da Carmel que no registo da Dani, ahhh mais isso vai lá com o tempo e com a idade!
Bem sei que respondes, e com uns valentes tragos!
Obrigada M. sabes que eu apoio o teu gosto eclético, há piores e com familia!









Gostei tanto de ouvir a Carmel, tanto tanto!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Férias #1

Das férias trouxe imagens, sons, energia, palavras, risos, sabores … estou de volta … mergulhei, soube-me bem, recuperei, colei cacos, fortaleci laços, fiz amizades, tudo o que vejo numa viagem, o que aprendemos a apreciar o que guarda para sempre, não trago t-shirts com o nome do local, trago tanta coisa e nada que se apalpe com as mãos … só com os sentidos!


Antes de ir de férias fiz um pedido a algumas pessoas que me são próximas, pedi que me carregassem o Ipod com musicas do seu agrado, o pedido era simples pelo menos 5 músicas antigas que marcassem momentos e pelo menos 5 músicas actuais dignas de registo. Ao pedido responderam com agrado e até alguma ansiedade, pedi que não me fizessem referência ao que tinham gravado porque queria fazer o exercício de descobrir quem gravou o quê!

Foi das coisas mais giras que me lembrei de fazer. Ligo quase tudo a músicas, momentos, imagens, pessoas, conversas, coisas, datas … tenho sempre uma banda sonora, acreditem que até nos sonhos invariavelmente acontece serem acompanhados de bandas sonoras …

Assim que agarrava no Ipod fazia-o com uma enorme expectativa, foi um delicioso quiz a que me submeti, tive momentos nostálgicos, saudosistas, infinitamente alegres, fizeram-me cair uma lágrima escondida, ri à gargalhada, fiquei histérica, cantei a plenos pulmões, dancei, contagiei pessoas que estavam ao pé de mim, paralisei, revivi, recordei … obrigada a todos os que responderam a este simples pedido, permitiram-me muito bons momentos!

Momento #1

Só quem me conhece muito bem é que atira uma musica destas e escreve num papel “para ti escolho apenas uma, gostes ou não de ouvir é ao som destes acordes que te verei para o resto da minha vida! São as duas faces que poucos sabem que existem isto é intemporal. Gosto-te”, claro que assim que ouvi a música relacionei com o papel … Obrigada minha cara L.



quinta-feira, 16 de julho de 2009

On the Beach

Está calor, muito calor …

Esta musica não sai dos meus ouvidos, dou meia volta em sons mais actuais, olho para este mar turquesa, cristalino e vem-me logo à cabeça esta música!
Trouxe comigo uma selecção de mais de 600 musicas … algumas que nem conhecia, pedi a algumas pessoas para me gravarem musicas do seu agrado no ipod, tem sido uma surpresa das grandes, apontei quem gravou por números e agora dou-me ao agradável exercício de tentar adivinhar quem foi o/a artista … tenho dado valentes gargalhadas, uns acerto outros nem lá perto!

Gostava de ter pedido a mais pessoas que me são importantes … dificuldades de comunicação… muros altos ... barreiras ... falhas ...

Continuo … ao bom sabor do ritmo caloroso!

Até breve





terça-feira, 7 de julho de 2009

Aqui ganho fio ...

Estou a ganhar fio por tempo ainda indeterminado e em ritmo reggae ...
Sou capaz de me habituar a isto ... a ver vamos se passo a escrever a FacAfiada deste lado do mar, eu que nem tenho muito jeito para ser rastafari ...
ja tive dias de ver isto tudo muito mais longe ...
ja tive dias de pensar que calor que se cola ao corpo para nao mais sair nao e coisa para mim ...
ja tive dias em que estar longe nao me fazia sentido ...
ja tive dias em que se me sentia longe nao me sabia a nada ...
ja tive dias ...

Esses dias parecem-me tao distantes ...


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ego vs Consciência

- Do ego, não, da consciência!
- Mas em armação de que sabes tudo, não é ego, é consciência! Digo eu que de mim eu percebo melhor que tu!
- Porra, isso é ego!
- Consciência!
- Ego e teimosia!
- Estás a provocar-me azia, Consciência!
- Esmera-te para explicares!
- Consciência, é consciência e tenho arrancado isto a ferros de mim própria! Isto tem-me tirado noites de sono tranquilo, ou pensas que chego aqui e resolvo que é consciência sem primeiro ter estado pendurada de cabeça para baixo a ouvir o eco do poço?!
Até acho que me custa mais admitir que em consciência não tive a noção, do que admitir que estava com o ego demasiado elevado e nem reparei que estava a fazer pó na lama! Caramba isso corrompe-me os sentidos …
-Tu lá saberás, bem ou mal terás as tuas razões!

E com isto não tive como adiar um duelo sobre mim mesma, socorri-me de algum expediente para me explicar afinal o que me embargou a vontade, o que me fez parar no momento em que me senti a patinar.


Aconteceu-me dizer coisas sem pensar. Sem querer …
Aconteceu-me dizer o que em situações normais jamais diria. Por medo …
Aconteceu que o mecanismo de defesa esqueceu esses momentos …
Todos?! … Não!

Embarguei a vontade em virtude de uma consciência súbita ou de um ego acomodado?

Freud disse que “O ego é uma instância da personalidade definida pela psicologia como o nosso eu mais perceptível”. O ego é uma instância psíquica relacionada ao princípio de realidade.
Se me detiver nesta explicação, não estou no espaço do ego … onde, em que momento é que tive a percepção? Não tive! Nem a vislumbrei ao longe … nem a pressenti, nada!
Se o ego é a parte mais perceptível de cada um, ainda que a agir condicionada eu não dei conta, tive vários condicionantes, tive momentos de pressão que me condicionaram até o olhar mas nem elevei nem afoguei o ego … foi por consciência que disse, já chega, quem não vê é porque não sente!

Estava condicionada mas consciente!

Mas também é verdade que o ego é um grupo de Eus … muitas vezes um grupo de milhares de Eus … O ego usa a máscara que mais lhe satisfizer, sendo geralmente isso o que acontece com todos e cada um de seus componentes. O EU, de acordo com as circunstâncias, mostra-se tal como é ou esconde-se sob finas subtilezas.
Todos e cada um dos eus, que podemos carregar, podem ser bestiais, brutos, selvagens, malignos, malvados, perversos, amorosos, agradáveis, amantes, bêbedos, adúlteros, afectuosos, homossexuais, carinhosos, cínicos, ternos, hipócritas, ambiciosos, vulneráveis, despojados, crentes, arrebatadores, invejosos, ... são terríveis... são EUS. E podem ser tudo!

Em consciência reprimi o meu Eu menos medroso … por medo!
E em consciência perdi o meu Eu mais crente … por precaução!
Em consciência desperdicei o meu Eu mais inócuo … por insensatez! Mas desta feita insensatez alheia!




terça-feira, 16 de junho de 2009

Preciso


E não é que fiquei infinitamente feliz?

Subitamente e com um simples “Hi” fiquei aos pulinhos de contentamento. O rufia que me deu a mão, que me ensinou que dar a mão é o maior sinal de confiança, que me deu a conhecer um submundo, uma inconstância com o misto de dor e de prazer vem apanhar ar à Europa. Que alívio, para mim porque andava em sufoco, não tenho saudades, tenho só um “preciso” dos grandes. E preciso mesmo, hã!

Há uns anos atrás estava eu em espiral, rodopiava sobre mim mesma e alguém que eu não conhecia de parte nenhuma num sítio que já nem me lembro bem, só sei que foi em Greenwich village disse-me “your eyes are a confused mix of angel and devil. Do you lend them to me for a few days?”. Pois, emprestei e mais que isso permiti-me a ver pelos olhos dele … daí resultou que eu fui a bóia de salvação para ele e ele puxou-me para a margem. Ganhámos os dois e saímos vencedores. Vencemos uma batalha os dois e sempre fundada numa imensa confiança que se apresentou no primeiro minuto. Daí retirei um bom ensinamento que uso invariavelmente embora em algumas ocasiões não faça a correcta leitura. Ele sempre me disse se alguém te recusar as mãos não é de confiança, não crê nelas o sentido que têm, e não é que o maior rufia sabe o que diz?!
Porque é que confiei nele se não tem ar de pessoa confiável? Porque sabe ler as mãos …

Eu ainda não sei … pode ser que aprenda.

É um artista de mão cheia, eu disse-lhe muitas vezes que aqui, em Portugal quando se chama artista a alguém pode ser num sentido muito depreciativo, o típico “olha que grande artista!”, ele é um grande artista e tem cada arte que só se ganha com calo, com vida, com passagens, com credos, com gritos, com tiros, com risos, com vidas, com mortes, com choros … é a vida! A vida é isto, é assim, dói, mais ou menos, as vezes nem dói mas sente-se, quer-se, e vive-se. Eu vi os meus olhos transpostos para a tela e vi-os melhor que se me visse ao espelho, engraçado que o que vi na tela nunca consegui ver no espelho, perguntei-me tantas vezes, mas ele consegue ver uma coisa que nem eu consigo? Valeu-nos um desempate de vida aquela tela, desempatou-nos situações limite, nunca mais a vi e provavelmente nunca mais a vou ver, também nunca mais vi o que vi na tela porque aprendi algumas coisas, porque ele durante o processo ensinou-me algumas coisas e o que estava representado já passou … Grande tela, grande artista, grande homem, grande rufia!

Durante aquele tempo tive medos, cresceram-me medos e matei outros medos, foi um equilibrar da balança, lembro-me de matar o tempo em noites altas e gostar de ver as luzes da cidade … de me sentir segura nos sítios mais inseguros, é uma questão de negociação interior dizia ele, e bem. É mesmo, negociar intimamente medos, temores, fobias, receios, dúvidas, saber fazer cedências a uns e proibir outros é um negócio que as vezes até falha mas aprende-se, experimenta-se …
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terça-feira, 9 de junho de 2009

Sorrir # 1

Hoje distraída, em sonho, sorri-te.Quando dei conta do meu erro, fiquei séria. Fiquei o mais séria que consegui.

Fiquei séria e amarga …

Já te sorri com tanta vontade e como é que agora tenho tanta vontade de não sorrir?
Eras tu, e eu, eu já não te sorrio. Sorri-te e não viste. Sorri-te e não sentiste …

Sorriste-me, mas, mais uma vez, os nossos sorrisos não se cruzaram. Porque tu sorrias do que eu não sorrio, do que eu não consigo sorrir …

Como é que os sorrisos parecem iguais e são tão diferentes?!

O meu é sincero!




"O riso é algo que irrompe num estrondo e vai retumbando como um trovão na montanha, num eco que, no entanto, não chega ao infinito. O sorriso, pelo contrário é silencioso como chuva mansa que cai e fertiliza a terra ou como uma brisa suave que acaricia e refresca o rosto. Enquanto o riso é extroversão, o sorriso desvenda delicadamente o interior de quem sorri”

Bergson

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Gueto

Sexta-feira fim de tarde:

- Olha lá vou em trabalho para Varsóvia podias vir comigo, tenho uma viagem que não vou usar, como vou estar a trabalhar não te vou melgar, e podes ir meter-te no teu gueto predilecto …
- Não posso, Domingo vou votar …
- Deves ganhar muito com isso!
- Não ganho nada, ganho só voz …
- Merdas …! Vinhas comigo e havia de ser muito mais divertido que ir votar, sabes bem que essa malta só corre para tachos querem lá saber do resto.
- Esse argumento não é válido para mim, foi um direito que custou muitas vidas a conquistar, reconheço-o, para além disso se não for votar perco a legitimidade de mandar vir …
- Há bom assim já estamos a falar como deve ser … contestatária!
- Além disso está a chover e prometi que não havia de ir a mais lado nenhum contigo ... quando estivesse a chover …
- Aahahaha pois até o tempo chora da cadência de disparates que fazemos juntos!
- Boa viagem …

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Surpresa

De há uns dias para cá um amigo de longa data tem insistido que precisa de falar comigo, que tem uma coisa importante que queria partilhar comigo. Entre este e aquele compromisso não tenho podido assistir a vontade dele e tenho declinado os convites para almoçar. Hoje perto da hora do almoço foi-me adiado um acto e fiquei com um “furo” de 2 horas para almoço, liguei-lhe para irmos almoçar. Combinamos na Cinemateca e em poucos minutos lá estávamos os dois. A cinemateca é um local muito agradável para almoçar, para estar, um oásis na cidade, como não se vê a rua, o reboliço da cidade fica distante …

Sentamos na esplanada do pátio interior, reparei que ele estava com um tom solene e comecei a ficar preocupada, ligeiramente nervosa até:

- Mas olha lá o que é que se passa, já estou aflita!? Estás doente?
- Não, já te conto, vamos servir-nos lá dentro
- Olha que não gosto deste compasso de espera, estás a preparar-me ou o quê? Vais ser pai??
- Não
- Vais trabalhar para fora?
- Não
- Não aguento tanto suspense …

(sentámos entretanto …)

- Em primeiro lugar queria muito agradecer-te
- A mim? Porquê?
- Foste a minha inspiração, deste-me um abanão no momento certo, tu que tens pouco mais de metro e meio fizeste-me sentir um nada …
- Eu? Quando?
- Lembraste quando em Novembro me encontraste na noite, e me seguiste com o olhar a noite toda, de longe … e à saída eu apresentei-te a minha amiga … e tu chamaste-me à parte e disse-te “ Não insistas em gostar de quem não sabe gostar de ti!”
- Tenho uma vaga ideia …

(Neste momento detive-me, ouvi um STOP, deixei de o ouvir, senti-me a planar no pensamento, ausente, vazia, despojada, distante, saqueada, divaguei sobre mim mesma … rodopiei por ali, ouvi o vento, ouvi o mar, ouvi vozes muitas vozes, os olhos arrasaram de agua, vi imagens a passarem ao meu lado, um calor imenso parecia que tinha a cabeça a arder, fechei os olhos e vi … foram segundos, fiz um esforço para me concentrar e voltei à terra!)

- Pois então, pensei dias a fio sobre isso e resolvi casar-me! Outra vez!
- Vais casar-te outra vez?
- Sim vou-me casar e desta vez de consciência, e quero que sejas a madrinha porque em grande parte foste tu que me abriu os olhos … pensei dias e dias no que me disseste, no que tiveste a coragem de me dizer. Agradeço-te de coração.
- Não tens que agradecer nada, só quero que sejas feliz e naquele dia não te vi feliz, vi-te usado. Não gostei de te ver … E vais casar com a amiga que me apresentaste?
- Não vou casar com outra …
- Como se chama?
- M.
- M.?? Não baste ires casar outra vez como escolheste uma noiva com o mesmo nome da tua primeira mulher?
- Não estás a perceber, eu vou casar com a M., outra vez …
- rsssss estupor! Venha a festa!

(…)

Como é que eu, em certa altura, tive a clareza de espírito de dizer a alguém de quem eu gosto muito uma frase que hoje teve para mim um efeito de raio … fiquei fulminada com o que disse hà uns meses a trás!

“Não insistas em gostar de quem não sabe gostar de ti!”

Hoje acrescento, não insistas em gostar de quem não sabe, não quer ou não gosta de gostar de ti, ou simplesmente de quem não gosta de ti!

Ás vezes é assim detemo-nos a gostar muito de alguém, e simplesmente não vale o esforço, não é que a pessoa não valha o esforço, o esforço é que não vale, porque é em vão …
Não chega gostar. Não me chega eu gostar. Não é suficiente um gostar.
Onde é que eu tinha a cabeça para ousar sair da minha protecção?
Onde é que eu tinha a cabeça para achar que chega gostar?
Onde?

Ainda me conservei por algum tempo a tentar achar uma explicação, a encontrar um argumento, a justificar … a justificar-me …

Ainda alvitrei saber como é que o que foi uma emoção num passado recente não é mais que um incómodo dias depois … eu como não digo o que não sinto faz-me confusão, não encontro explicação, se não sinto não digo, ponto final. Se sinto nem sempre digo, mas quando digo é porque sinto muito …

E agora digo para mim “Não insistas em gostar de quem não sabe gostar de ti, não quer ou não gosta de gostar de ti, ou simplesmente de quem não gosta de ti!”, vou repetir até estar convicta …

Senti muito e agora sinto muito!





segunda-feira, 1 de junho de 2009

Touché


Estive até ao último minuto possível a hesitar, colei-me a todas as desculpas para justificar não estar presente, não comparecer. Não tinha porque não ir, era um torneio amigável, conhecia todos os presentes, não era mais que um treino eu sei … havia sido feita a combinação e os preparativos, no fundo era uma forma de reunir todos novamente e perceber quem é que estava com espírito para uma temporada e quem é que estava preparado para desafios fora do grupo …

Fui à praia para justificar o cansaço, não tratei do equipamento … não me organizei, tinha criado todas as condições para não ir!

21h estava no meu sofá a ver televisão e a pintar as unhas dos pés … mudei de canal e vi as horas, fiz contas de cabeça reuni o equipamento mentalmente, agarrei no telemóvel e em 2 minutos organizei-me, pensei é burrice estar aqui a contrariar-me sem motivo nenhum, dez minutos depois estava a caminho …

Cheguei atrasada, o que é habitual, ninguém contava com a minha presença mas ao verem-me senti que acreditaram até ao último minuto que viria, ainda nem tinham sido distribuídos os pares e o nosso instrutor quando cheguei disse “pois, estávamos à tua espera para organizar os pares!” … já aqui estou…

O grupo em geral estava com espírito, apesar do calor e do equipamento não ser a coisa mais fresca do mundo, estávamos todos com a garra que em tempos nos foi muito característica. As frases d’armas sucederam-se umas atrás das outras, em cada Assalto, em cada desengajamento, em cada deslocamento, em cada em Guarda os encorajamentos do grupo subiam de tom e os drops subiam de atitude. Até eu que nos últimos treinos tinha “levado na cabeça” por estar sempre em recuo, senti-me a dar redobramento sem medos … o som metálico dos toques de deslizamento teve novamente o som que gosto, que me concentra que me foca.

Não sei exactamente o que me fez reter tanto tempo no medo de ir, talvez algum desapontamento sobre mim que tive de reconhecer nestes últimos tempos, esta é uma das desculpas que arranjo para justificar … não faz sentido, eu sei!

A verdade é que ainda bem que me livrei do medo, ainda bem que consegui no último minuto afastar o desapontamento que me tenho, ainda bem que resolvi ir. O nosso instrutor sabe que eu estou sempre concentrada numa música, sempre que entro em frase d’Armas tenho sempre na cabeça uma música e sigo o ritmo dela … estive sempre, ao longo do torneio bastante ofensiva e ele no fim veio perguntar-me qual era a música que me estava a motivar, eu respondi-lhe, “V. não vai querer saber, garanto-lhe!”, ainda bem que fui …





Como é habitual o F. tinha preparado uma surpresa para o grupo, no fim já "desarmados" tinhamos à nossa espera umas garrafas de Castelinho tinto, reserva de 2005 e uma selecção de queijos à altura. Ah granda F.!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

De longe

Eu sei que estás a um passo a um telefonema mas aquela sensação de que também me sei desenvencilhar sozinha faz com que pense em fazer mas nem sempre o faça, hoje tive mesmo de o fazer. Por momentos fiquei com a sensação que não tinha experiência nenhuma, que derrapei na matéria melhor preparada, vai daí e precisava de te ouvir dizer aquela tua frase … que curiosamente só gosto ouvir de ti “não te preocupes, ninguém morre disso!”.

Não sei porque vacilei, devo ter misturado sintonia com frequência … sei lá, acontece que já apostamos em cavalos errados, não perdemos fortunas porque também não as apostámos, mas a aposta é um risco que se quer correr. Há riscos que se correm sem querer, mas na aposta quer-se correr o risco … eu corri o risco sem querer, não apostei nada, nem sequer realizei …

Sorrio se pensar que apostas sempre no cavalo preto, e eu digo que nesse só aposto se tiver o pêlo a brilhar, e tu tens sempre Palcê de 2ª … e se ficava amuada dizias sempre, “deixa lá se tens azar ao jogo terás sorte no amor!”

Liguei-te e depois de me ter desembuchado disseste-me no teu tom mais calmo:

- Despe-te de ti, despe-te de preconceitos e fobias, das coisas que não resolveste. Mergulha, mergulha fundo, mergulha sem medo, sente as águas mais frias, sente cada átomo, cada partícula, cada respiração, cada alento e cada fôlego … vem à superfície e trás contigo esse sabor … o desprendimento dá-nos o sabor da verdade, do que queremos, do que somos, do que queremos sentir, guardar, reter em cada centímetro de pele …
Não há nada de mal nisso … perder nem sempre é mau! Tu sabes bem disso … querer mais é uma força capaz de mudar o mundo, o teu mundo. Se te sentes em queda agarra-te com força, não penses no que fizeste de mal, pensa no que queres fazer de bem, no que consegues fazer de bem. Não te sintas perdida, sabes bem que te foi ensinado a ler não te leram a história, tu sabes ler sozinha e mais que isso sabes escrevê-la …

E foi assim que mais uma vez o teu colo me renovou a ideia que é o colo em que mais acredito! Que me dá maior segurança, ohhhh colinho sábio!

Entretanto, depois de escrever isto vou fazer o nosso chá, do deserto …




quarta-feira, 27 de maio de 2009

Excêntrico

Então ontem foi assim, foi-me solicitado no âmbito do meu trabalho que fosse buscar uma criatura ao aeroporto e que a acompanhasse durante o dia, embora se sugira nesta frase, eu não sou acompanhante profissional!

Tratei de perguntar como chegava eu à criatura, como saberia identifica-la, quais eram as referencias? A reposta foi complicada de tão simples “ foca-te na pessoa mais excêntrica que vires desembarcar … é ele!”, estou lixada pensei eu…!
A caminho ainda me ri de mim, comecei logo a imaginar-me a pantera cor de rosa, só não dei aquele duplo pulinho a andar porque para além de não saber era capaz de ser complicado fazê-lo com os enormes saltos altos que calçava!

6.58 a.m
Encontrava-me já comodamente instalada no aeroporto de Lisboa, com os olhos postos na porta de desembarque, o que sabia era pouco, senhor de meia idade, excêntrico, não sabia se era alto, baixo, magro, gordo … não sabia nada, era excêntrico. Mr. Benson … o nome. É que nem sabia de onde vinha a criatura se de Madrid se de Jaipur …
Enquanto esperava deitei-me a pensar que estavam a gozar comigo, o meu colega, que até é uma pessoa de poucas graçolas, no dia de ontem estava armado à graçola e eu, tal qual pato bravo tinha caído e estava ali com o tema da Pantera cor de rosa na cabeça, numa missão de encontrar o Mr. Benson, o excêntrico. Sucediam-se pessoas na saída e eu a cada vez que surgia uma pessoa de sexo masculino pensava, ora deixa cá ver se tem alguma característica particular ou se é normal … um e outro e outro, este não que é novo demais, este não que vem acompanhado (mas ninguém disse que viria sozinho!!), este também não que é normal, ora aqui esta um exemplar para analisar um tipo de 40 e tal mas que aparenta menos, chinelos, ar te férias meio cabeça no ar … pode ser ah não, acenou lá para o fundo, não é este.

7.25 a.m
Nada de novo …
Mais um, dois, meia dúzia … nada, eu já estava a ficar impaciente e a duvidar da minha capacidade de observação, querem ver que a criatura já chegou, já se montou num táxi e eu aqui à espera do amanhã … não pode ser, eu teria visto, tenho analisado todos, daria com ele. Com isto pensei, mas o que é que será excêntrico para o meu colega?? Se calhar não é o mesmo que é para mim … detive-me 2 ou 3 minutos neste pensamento. Ora excêntrico é excêntrico. Não há que enganar!

7.45 a.m
Nada …
Não me posso distrair. Com o passar dos minutos já me estava a dispersar e a fazer o exercício da família, este é casado com aquela, que tem ali aquela irmã à espera e vem de não sei de onde … faço isto tantas vezes, mas hoje não posso, Mr. Benson, focar-me no homem excêntrico!
Só pode ser este! Ai mas só pode mesmo, engoli uma estridente gargalhada e dirigi-me a ele …

- Mr. Benson?
- Yes it’s me …
- wouldn't be suspicious!...

É claro que o meu colega não estava a gozar comigo e é claro que era simples saber quem a criatura era … e eu continuava a tentar engolir a gargalhada, desta feita à minha conta, que insistia em querer sair.

O Mr. Benson, uma figura, alta, muito magra com um ar ligeiramente empertigado e arrogante, mas simpático dentro do possível. Apresentou-se de fato em xadrez príncipe de Gales, camisa branca e gravada em rosa choque, os sapatos uma pequena maravilha, pretos com uma aplicação de pêlo branco e preto na parte de cima e com um evidente salto, para além disso usava um monóculo, que diga-se de passagem é uma coisa muito actual … eu pensei “temos Eça!”.

E lá partimos rumo aos compromissos que tínhamos agendados para o dia todo … e percebi naquele momento que o motorista e o carro recomendado faziam todo o sentido …

Durante todo o dia fui presenteada com um humor lancinante e voraz sobre vários aspectos, desde a enchente de painéis publicitários sobre o tema Europeias, que invade cada metro quadrado da cidade de Lisboa “Did they open a line to vote?”, à vontade que o Sr. teve de ir beber a famosa Ginginha no Rossio, sendo que quem conhece a zona sabe que ali em particular conseguem ver-se mais pessoas de cor que pessoas brancas “this zone was granted to any african country?” … muito bem passado …



segunda-feira, 25 de maio de 2009

Fui






Nestes últimos 3 dias senti-me passageira.

Passageira da vida, passageira da existência, passageira de sensações, passageira de impressões, passageira … viajante, fugaz …

Agarrei em meia dúzia de coisas fiz uma mala e parti, sozinha … há muito tempo que não viajava sozinha, foi o primeiro pensamento que tive, é tão bom viajar sozinha
É uma sensação da qual já me tinha esquecido, ir ao sabor, ao sabor de qualquer coisa, um apetece-me sem previsão, sem conteúdo … um vou ali já volto, vou ali mas não sei onde, vou e tento voltar … prometo que tento voltar.

Quando tive de resolver onde ia pensei, queres carne ou peixe? É tão simples como isto, e se se está sozinha … nem carne nem peixe, siga… Barcelona parece-me bem!

48 min depois estava a embarcar para Barcelona …

O céu estava limpo aproveitei para dormir, ando cansada, dormi e acordei já à chegada. A sensação que tive depois de desembarcar foi idêntica à que tive quando resolvi que ia mudar o percurso da minha vida hà 8 anos … e agora faço o quê?

Vou ver com os meus olhos, vou sentir com a minha alma e depois logo aparece o que me apetece fazer … dentro do possível, o que me apetece fazer, não tenho horas nem quero ter, um dia destes em conversa com uma amiga ela perguntou-me se não tinha medo de ir sozinha, assim sem programar, eu respondi-lhe que o meu maior receio é um dia ter medo de ir acompanhada, seja onde for … acho que não percebeu!

Fez-me bem, recuperei alguns cacos … vi com os meus olhos, vi-me outra vez à minha luz, senti-me com as minhas pulsações, sabe bem. Dei por mim no meu maior e melhor exercício, observar!



quinta-feira, 21 de maio de 2009

A caminho

"Há pessoas que nunca se perdem
porque nunca se põem a caminho."
Johann Goethe

Perco-me, desoriento-me, baralho-me, confundo-me, desnorteio-me, atrapalho-me, desatino-me, atordoo-me, assarapanto-me mas ponho-me sempre a caminho … a caminho do que acredito, a caminho do que confio, a caminho do que espero.

Se tombo …. tenho-me Levantado sempre
Se dou uma queda … tenho-me levantado sempre

Se fico mesmo muito aflita, como estou, fito um ponto no horizonte, no meu horizonte, e penso “se é aquilo que está ali, está só a esta distância … vai”

Em miúda tinha por sistema um sonho que ainda hoje tento decifrar e me atormenta, sonhava que gritava para me acudirem e ninguém ouvia, não produzia som e ninguém reparava que estava desesperada de medo, e desatava a correr e a tropeçar em tudo, trapalhona, corria sempre, corria, corria e corria, depois perdia-me, desorientava-me, baralhava-me, confundia-me… mas, sabendo que me ia perder punha-me sempre a caminho e como não conseguia que alguém me ouvisse nunca regressava a casa … acordava cansada e perguntava às pessoas se me estavam a ouvir bem …

Ultimamente este sonho atravessa-me a ideia tantas vezes, perdi-me e desatei a correr, tropecei, caí e quero levantar-me … mas ainda assim sem ainda me ter levantado, já me pus a caminho!


segunda-feira, 18 de maio de 2009

Raízes

São o que me prende à existência … o que me puxa à verdade, o que me faz sentido, eu preciso das minhas raízes, preciso de dar conta que existem, preciso de as sentir …

O cheiro da terra, do campo, o andar descalça … e choveu, adoro o cheiro do chão molhado pelo chuva …


Vim de peito cheio, bem precisava!







sábado, 16 de maio de 2009

Unico sentido # 2

E foi a mim que foi dada a maior lição de resistência, de coragem, de ânimo, eu que pensava que não ia aguentar, que oscilei entre zonas de força e de fragilidade entre bocados de grandes certezas e imensas duvidas, fui. Cumpri o que te havia prometido, com o coração apertado a voz trémula, fomos em busca do que tanto querias, o cheiro da tua casa … contornados os obstáculos, escadas, portas etc. e ali estavas a olhar à tua volta como se quisesses tocar novamente em todos os objectos mas que no fundo eram agora palco de um espectáculo que tinha já acabado, eram um cenário ainda montado que reflectia o que foste … vi-te nos olhos pena, angustia, tristeza, melancolia mas nem por um segundo te encontrei revolta, mágoa, amargura e esta foi a grande lição!
Ficaste o tempo que quiseste …


Quando voltámos, como havia pensado sem te dizer levei-te a ver o mar, fomos à Figueira da Foz passeamos na marginal, a única coisa que me disseste foi que não conhecias palavras para descrever o que estavas a sentir … deixa lá isso o que interessa é que sintas.
Tens já meios para sair daquela cama e havemos de encontrar alguma coisa que se possa fazer.
Eu tenho a agradecer a grande lição que acabei por ter, não desistir, acreditar SEMPRE ….!




Agora vou ali, voltar às minhas raízes, para encontrar a serenidade e paz que me fazem tanta falta, e cuja falta me desequilibrou e me fez patinar onde eu menos queria ...

terça-feira, 12 de maio de 2009

Energia

Energia precisa-se …

Precisava-se …


Entrou em cena esse grande maluco do Jamiroquai e o caso muda de figura. Fazer o que gosto por duas horitas já me deu uma boa bolsa de ar. Sim, eu sei que tenho uma multa para pagar pelos mesmos motivos, mas quero lá saber disso agora!

Tenho de pôr as ideias no lugar e de corrigir os erros, sem Delete!

A dormência que se instalou desde o principio do ano e que causou estragos a mais, vai ser pontapeada para fora, não há nenhuma necessidade de a ordem natural dos factos alterar o meu estado de espírito, mesmo depois de anos de constatações, não é mais que a conclusão de um estudo intensivo de tantas e tantas horas, sempre gostei de coisas resumidas esse é o problema. Achei, erradamente, que não tinha ainda descoberto que estudar assuntos importantes por grandes tratados era a minha vocação … não é, decididamente gosto de sintetizar em grande, resumos, que não há tempo para tudo! Bons resumos, abrangentes, elaborados mas parcos em grandes explicações …
Costumo ser mais racional, nestes últimos tempos dei em lamechas enfadonha, não pode ser.

Espiral invertida não é para aqui chamada, estamos entendidos?

Ide! Avançai! Aproximai, Antecipai e conquistai!


segunda-feira, 11 de maio de 2009

A primeira

Acabámos por ficar à conversa até os primeiros raios de sol, passámos por tanto bocadinho bom e mau das lembranças que temos, rimos tanto das “tonterias”, somos amigas há 25 anos, demos conta disso no sábado, temos de comemorar o quarto de século!

Só nos permitimos a perguntas difíceis uma à outra porque sabemos que não é preciso responder para que a outra saiba o que lhe vai na cabeça mesmo que as palavras que saiam sejam contrarias … é o que se é capaz de dizer, nunca chega ao que se pensa ou se sente…

Ora porque é que ando metida comigo mesma … porque sim, porque enquanto me meter comigo sei com quem é que me meto e não tropeço, foi uma pergunta de retórica!
Sim eu sei respondi em automático não é exactamente a verdade …

Que é que me doeu e me fez arrepiar?! Ora ora, sabes que o meu sentido de justiça é apuradíssimo e se me atinge a mim então …
Sim, injustiça, sim eu, sim senti, sim na pele …

E tu aproveitaste a deixa para puxares uma das nossas melhores histórias…

“Lembras-te quando andamos o ano inteiro a trabalhar e estudar para passarmos um mês de férias no Sul de Espanha?? Lembraste?
Lembraste que fomos com os rapazes, fomos os 5 num peugeot 106 … era para ser um mês no sul de Espanha e só começamos a pensar voltar para trás quando chegámos a Bratislava?!
Quantos anos tínhamos?? 20 ou 21 …
Ligávamos para casa e estávamos sempre em Espanha, tenho tantas boas recordações desses dias!”

Também eu …
Conduzíamos durante a noite para aproveitar os dias, era muito inconsciente …
As discussões que tínhamos por causa da música e da bagagem, fogo um 106 com duas miúdas e 3 rapazes … como é que levávamos tanta tralha, ainda dormimos muitas noites no carro, lembro-me tão bem quando chegamos ao Mónaco todos jagunços … e a tomar banho num balneário publico …

“ Que guerra tão boa que foi tudo aquilo. Tu tens grande parte de todas essas aventuras escritas não tens, bem me lembro que escrevias no carro e depois tínhamos de parar porque ameaçavas que ias vomitar, era para ires à frente não era!?”

Era, claro!
Mas fico sinceramente mal disposta, mas aquilo tinha de ser registado, um dia destes puxo aqui para o blog algumas passagens dessa viagem …

“Lembraste que jogamos todo o caminho o jogo da verdade?!
Foi ai que nos conhecemos todos verdadeiramente, nessa altura também não havia nada a esconder, ainda não tínhamos vivido nada …!”

É uma verdade, se fosse agora já era bem diferente, já não íamos conseguir aquele nível de sinceridade, não em conjunto como foi … Lembraste de dormirmos nas estações de comboio?
Lembro-me tão bem do momento em que resolvemos levantar barraca de Espanha … estávamos os 5 na praia e o P. disse qualquer coisa como “Não me aguento ficar aqui de lombo esticado mais de 2 dias…”, e parece que estávamos todos à espera uns dos outros, nem eu, nem eu, nem eu!
Naquela mesma noite arrancámos sem destino e depois íamos ao sabor das respostas do jogo da verdade …

“E estás feliz agora, com tudo o que se está a passar ? Arrependes-te? Voltavas a trás?”

Não, não estou feliz, não me arrependo nem voltava a trás … sabes que não acredito nisso, e isso da felicidade é um estado de espírito … nem se quer é uma conquista!
Tenho saudades de ir sem destino, de não estar focada num objectivo …

“Mas tens um objectivo agora? É por uma razão concreta? De que é que eu não sei?”

Deixa lá tenho de ir dormir que já me aguento …

É sempre tão claro falar contigo!





(coitados dos rapazes que ouviram estás músicas centenas de vezes, até já cantavam também...)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Viena



Viena - 5 Maio 2009

Fui em trabalho, mas restaram-me 3 horas e aproveitei-as da melhor maneira que consegui, passei por alguns sítios que me desviaram a atenção, inevitavelmente desviaram-me a atenção. Parece que os mesmos olhos são outros olhos ...

"Não venhas para aqui que o chão aqui move-se sozinho ...! " passei por lá ...







O único sentido # 1

Levei alguns dias a arranjar coragem, pensei dezenas de vezes em fazê-lo e dezenas de vezes me vacilaram as pernas e me atemorizou o coração. Perguntei-me porque o queria fazer e equacionei o que ganhávamos com isso. Racionalizei ao máximo o que sentia, a vontade que tinha, o receio que me assolava … Voltei a ler alguns trechos que tenho sublinhados no livro “vai onde te leva o coração” da Susana Tamaro, não sei porque mas associo estas passagens ao que sinto quanto me lembro desta situação.

Resolvi que não iria visitar-te, achei-me egoísta …
Resolvi que te iria visitar e sofri tanto antes de chegar …

Desde que soube que tinhas desistido fiquei tensa, calada, pensativa, triste, angustiada, reservei-me … reservei-me como protecção, fui até mal interpretada por quem eu não queria que me interpretasse assim, por quem esperava que conseguisse ver sem eu ter de dizer, é uma densidade que não me deixa bem …

Ontem quando acordei e abri a janela estava um nevoeiro intenso e foi nesse momento que resolvi ir … passei pelos cd’s e peguei nos Depeche Mode, fui para cima a ouvir e a cada kilometro lançava-me a perguntas que tinha de responder antes de chegar … é uma forma que tenho de me focar, concentrar-me no essencial e ter já respostas para perguntas que sei que vou fazer, a verdade é que não consegui responder a uma única e sem me aperceber do tempo a passar dei conta de mim quando estava a chegar.

Entrei. Aguardei em mim conseguir estar serena, perguntei como te havia de encontrar e a voz não me deixou mentir, enrolei-me toda nem consegui dizer o teu nome … fiquei mais de uma hora à porta do quarto, criei raízes, não conseguia avançar … as lágrimas caíam-me e a coragem parece que me queria fugir, eu puxava-a pelo braço mas ela teimosa fugia-me, disse para mim já em tom austero para me obrigar a compor-me e a ganhar à coragem, vai, avança …!

E avancei …

Encontrei-te deitado na cama, a olhar pela janela, ausente, abstraído da vida, sem qualquer brilho nos olhos … ainda, assim quando me viste sorriste e disseste-me que não valia a pena chorar que não adiantava nada. É verdade não adianta …

Sem esboçares tristeza ou revolta ou sentimento algum, disseste-me que desde o Natal que não recebes visitas, que sabes que já não existes para todas as pessoas que conheces … que não te faz sentido estares assim e que se pudesses acabavas com a vida. Mantive-me apática ao que dizias, sabia que no momento em que me envolvesse na conversa me iam saltar lágrimas compulsivas … que nem o teu pai se lembrava mais de ti …

Que cruel que é saber isso através de ti, é atroz ver-te assim à espera de nada. Disseste-me que eu tinha os olhos iguais aos teus, mas não tenho os teus são verdes e os meus só estavam assim porque estavam lavados em lágrimas …

Falamos de tudo o que era nada, nem se quer consegui dar a vivacidade que normalmente dou às conversas mesmo que o assunto não tenha importância nenhuma … é uma auto anulação para não ser tão bárbaro sentir que já não sentes nada sobre coisa nenhuma …

Apesar de seres um miúdo que tiveste pouco acesso a tantas coisas, consegues guardar em ti um brilho de quem quis, um dia, abraçar o mundo … custa tanto sentir isso. Tanto!

Quando me preparava para me vir embora confidenciaste-me um desejo que tinhas, e com a ingenuidade que ainda manténs no teu olhar pediste-me para te possibilitar voltares à tua casa, que a coisa que mais querias era voltares a sentir o cheiro dela … e foi ai que as lágrimas me saltaram sem as conseguir controlar.

E claro que te vou atender a esse pedido, voltarei, assim que puder com os meios necessários para te satisfazer essa vontade … e tu não sabes mas vou-te levar a ver o mar …

Voltei para casa completamente vazia, carente, a precisar de um abraço, de um abraço muito apertado.



domingo, 3 de maio de 2009

A escolha

A ESCOLHA é irónica, trocista, sarcástica e mordaz. O prazer de Aprender que se tem de escolher, que não se pode ter duas coisas ao mesmo tempo é um sinal preciso do carácter trágico da vida que consiste no simples facto de, se uma coisa não se concilia com outra, tem de haver escolha!
A consequência é simples mas é derradeira, renuncia-se a umas coisas para se “ter” outras …
Há dias falava com uma pessoa que me é muito especial, resvalamos na escolha e ele disse-me “é muito bom ter escolha não é!?”, eu confirmei, sim é bom ter escolha, mas é uma ironia ter de escolher. Se se tem de escolher é porque ambas as hipóteses se apresentam como potenciais opções e ter de escolher ainda que nos dê o império da preferência empurra-nos para a ironia do sensato …
“Liberdade não é poder escolher entre preto e branco mas sim abominar este tipo de propostas de escolha”
Theodore Adorno

Eu gosto de ter para escolher mas não gosto de ter de escolher … mas, como toda a gente, sou obrigada a escolher diariamente sobre tantas opções que se me apresentam na vida, umas insignificantes que se prendem com coisas banais do dia a dia, outras mais duras que abraçam sentimentos, vontades, desejos, quereres …
O processo de escolha - de aceitação por um lado e de rejeição pelo outro – acompanha-nos sempre a cada passo e a cada impasse.
Eu escolhi não escolher, não me sentir desafiada, nem sequer senti vontade de saber se tinhas voltado … se voltaste foi porque escolheste voltar, eu escolhi ficar com o meu livro a esventrar ao meadros da CIA, legado de cinzas pela mão do Tim Weiner …
Foi uma escolha inteligente?
Não sei. Não quero saber.
A minha não escolha foi a escolha que fiz no momento em que me lançaste o desafio, acabei por não te ligar hoje … ligo-te amanhã para saber se estás bem, se já chegaste …
Uma escolha inteligente implica um sentido realista dos valores e das proporções e esta é a minha actual realidade. Garanto-te que exige um profundo conhecimento do que fui, do que sou e do quero e quero ser!




O destino é a seara que cresce da semente da escolha …

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A pensar

Disse que ia pensar e continuo a pensar …
Ao fim da noite de quinta-feira recebi um telefonema de uma pessoa que me é próxima, onde me foi lançado um cartel:


- Olha, tenho um desafio para ti …
- Chuta para cá!
- Só vais conseguir aceitar se esqueceres, por horas, todos os compromissos e responsabilidades que tens na vida …
- Ui! Isso é coisa para eu declinar sem sequer querer saber o que é …
- Voltamos?
- Voltamos!?!?!
- Eu só volto se tu voltares comigo …
- Então parece-me que não vais voltar!
- Não voltas?? Tens coragem?
- Tenho coragem de não voltar!
- Tens coragem de acreditar que não queres voltar?
- Acredito que não vou voltar
- Eu acredito que voltarás …
- És um crente …
- Sábado, sitio do costume, hora do costume … sou crente… beijo, a exigência do costume mantêm-se …
- Ligo-te no Domingo …
- Falamos no sábado, tens 2 dias para ponderar …
…….
E aqui estou eu a ponderar …

Empurra-me o ímpeto, amarra-me o medo,
Impele-me a vontade, sustem-me o respeito,
Impulsiona-me a saudade, detêm-me o receio,
coage-me o desejo, retrai-me a reverência
Força-me o impulso, segura-me a apreensão …

Não é fácil ponderar com a cabeça quando o que corre nas veias fervilha , mexe-se, agita-se, estou numa tensão tão grande, luto comigo própria só não me esbofeteio para me chamar à razão porque não o conseguiria com a força necessária!




quinta-feira, 30 de abril de 2009

Ruinhas

Vagueava eu pelas estreitas ruas do meu pensamento, e sem querer acabei por ir parar aquelas ruinhas de Béchar onde só eu passo, onde só eu, desorientada, consegui passar … sempre que me aperta o pensamento a memória salta à minha frente e desata a correr, não a consigo apanhar mais, tento ganhar-lhe, apanha-la e devolvê-la mas já consigo … corre em franca vantagem. Eu consigo vê-la à minha frente e é ai que sem querer revejo os momentos …

E lá estava, mais uma vez com o coração a querer saltar-me boca fora, a sentir os pés a trilhar aquele sulco a meio da ruinha que nos faz saber que por ali, há centenas de anos passam centenas de pessoas e que por ali passam a saber para onde vão, e eu perdi-me por lá …

Sinto-me imediatamente descalça, só descalça encontro o caminho … são biosonares, por isso é que os mimo tanto …

Enquanto corro a respiração atrapalha-me o pensamento, atrapalhou-me … utilizar aqueles truques básicos de seguir o sol ali não resulta, mal se vê o sol, sente-se mas não se vê, as ruas são estreitas, quase tão estreitas como o meu pensamento … onde só cabe uma pessoa …

Agora estou só, e estou só com o pensamento e assim estou a salvo, mesmo que me sinta descalça, mesmo que sinta o sulco a meio da ruinha, mesmo que chegue a cada encruzilhada daquele labirinto … agora estou só em pensamento e portanto estou a salvo.
Aquele cheiro do chá do deserto invade-me os sentidos, se alguma coisa me cheira aquilo apalpo logo o terreno só para ter a certeza que o que está em presença é só o pensamento e a memória …

Ainda guardo o lenço azul que me cobria a cara, arrepia-me pegar nele mas fico aliviada já não tem tef tef, está lavado. Se me cruzo com ele quando abro a gaveta, as vezes, ainda vou ao espelho só para ter a certeza que foi nos olhos que leste que precisava de ajuda.




terça-feira, 28 de abril de 2009

Viena

Logo de manhã o Erlend Oye cantou para mim … entre a pressa que tinha em sair de casa os compromissos que tinha para daí a 5 min. não pode deixar de me sentar um bocadinho e deixar-me transportar para Viena, há 8 anos atrás, onde demos conta que este freak existia.

Lembrei-me que chegamos a Viena tarde (para eles), chovia desalmadamente, dada a minha antipatia com a comida dos aviões, estava aquela altura capaz de comer um elefante dentro de uma carcaça. Tudo fechado, não se via vivalma … lembro-me de pararmos por baixo de um prédio para nos abrigarmos da chuva:

- Escuta não ouves música, deixa-me perceber de onde vem …
- Oiço chuva e vejo-te um pingo!
- Estamos há uma hora debaixo de chuva … anda comigo, cheira-me que de onde vem a música … anda … Estou cheia de fome!

E com isto chegamos ao Motto ...

E com isto o percurso dos nossos dias em Viena alterou-se …

E com isto descobrimos outras coisas não menos interessantes …

Ainda hoje recordo o ambiente, o som, o cheiro … bebemos vinho e falamos com o grupo da mesa do lado, acabamos por sair dali horas depois com eles … tem um socialização muito diferente de nós, portugueses. Não parecendo, afinal não lhe corre o sangue do sul nas veias, são “dados” … acabamos por ir para casa da Myra, ainda hoje mantemos contacto e recordamos aqueles dias como muito bons dias de se viverem!

Lembro-me de teres dito “ isto aqui é tudo à vontadinha!”, o que eu me consigo rir ainda hoje com essa tua tirada!

Passámos os 5 dias que por lá estivemos sempre com aquele grupo … voltamos todas as noites ao Motto, fomos a uma festa muito Freak dentro da Câmara Municipal e íamos ao Hotel mudar de roupa … é do que me recordo …

Já lá voltamos, separadamente, mais que uma vez mas ambos concluímos que não se chegou, nem perto, da primeira vez …
Recordo os bons momentos sempre ao som do Erlend …




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domingo, 26 de abril de 2009

Instantes únicos na vida


Há instantes que valem tudo, valem aquilo que não se espera, valem aquilo que se aguarda, valem pela ansiedade, valem pelo medo, valem pelo desejo, valem pela surpresa, valem pelo gosto, valem pela estranheza, valem pela inquietação e desassossego que causam … valem muito, valem tudo, podem ser breves instantes mas valem tanto, retiram-se tantas conclusões num ápice … são instantes únicos na vida. Não vale a pena ensaiar, programar, pensar como será como vai ser o momento … valem por isso tudo e porque nunca mais se repetem e isso dá-lhes a subtileza de ser um instante único na vida!

“…Como um instante único na vida…”

Um olhar, o primeiro olhar, a primeira impressão, a primeira palavra, um cheiro, um toque, um impasse, uma certeza, uma critica, um aplauso, uma palavra, uma vontade, uma sensação, um tormento, um segredo…
- Dá-me as tuas mãos …

“… Assim nasceste no meu olhar, assim te vi …”

É o que fica, o que se regista, o que se assinala, o que marca, o que se assenta, o que persiste, o que insiste, o que perdura, o que se mantém o que me mantém … momentos, ocasiões, instantes que mesmo que breves são únicos na vida e fazem burilar a alma e rasgar a vida …

“ … assim te vi a rasgar a vida …”

Gosto tanto destes momentos … mesmo que me façam tremer as pernas … que até possam parecer menos bons… Gosto tanto, tanto, fazem-me sentir a rasgar a vida!




Mais uma vez parabéns à Mitó, pela aNaifa e a homenagem ao João Aguardela esse grande mentor da música portuguesa.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ratos

Não vou escrever sobre mim, vou escrever um pequeno apontamento do que, um dia, pensei ser …

Um dia, longínquo, achei que podia saber-te, sem quantificar, sabia-te. Sabia-te as reacções, sabia-te as vontades, sabia-te os olhares, sabia-te …

O que eu não sabia era que o que eu sabia não era aquilo que genuinamente tu eras, eu sabia-te aquilo que no momento era para saber. O que estava para lá do palco, o que escondias nos bastidores. Isso?! Isso eu não sabia… Não abona a meu favor não saber o que estava para além da personagem que via, não abona porque era um não saber, que, embora inusitado era extremamente consciente. Digo-o sem pressão, não sabia porque não queria saber. Não me era agradável saber, não fiz um único esforço para saber … e não soube até ao dia.

Nesse miserável dia soube tudo, nunca na vida aprendi estenografia e até por essa via me foi dado a conhecer, fiz, em segundos, autênticos tratados de interpretação em LGP, engoli algumas Larousse’s instantaneamente … Doeu??
A verdade dói, as vezes …
Doeu. Doeu muito, mas foi uma dor saudável, trouxe-me saúde, vontade, motivação, estabilizou-me … fez-me acreditar … em mim!
Já me tinha esquecido que isso existia, acreditava em ti e isso parecia chegar. Não chegava, nem para começar …


Lembrei-me disto hoje só porque aquele que me amparou a queda está hoje em queda livre, e consigo sentir por isso o calor da areia quente do deserto nos pés, não é por ti é por ele, ele é que foi o guerreiro, agarrou numa guerra perdida e arrebatou a vitória, sozinho … eu não o ajudei um único minuto, ele sozinho pensava, perguntava, respondia e agia. Ainda hoje, por telefone, lhe disse o que me repetiu vezes sem conta e que me fazia esboçar um sorriso “ então mas somos homens ou somos ratos! Ah se apanho um rato esventro-o, filho da puta!”

Admirável criatura … Continuo a adorar os teus momentos de fúria … mesmo em situações de extrema angustia fazem-me rir, e não é um riso nervoso, é rir de rir de achar graça, uma patética graça, mas uma patética graça cheia de tudo, porque essa é a tua forma de dar tudo!
E foi nesse miserável e longínquo dia que através de outros olhos que eram os meus mas desta feita ABERTOS eu vi que o que num outro dia pensei ser, afinal não era, e ainda bem que não era!


Sabes que a rede que está por baixo tem força não sabes, vá atira-te sem medos!
Estamos cá para isso. Somos o que afinal??






Para ti porque a tocas e cantas soberbamente

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Desistir

Hoje, a caminho de casa por várias vezes esgotei a lágrima que queria cair … por várias vezes contive o brado que a minha alma estava pronta a dar, por várias vezes equacionei o porquê, por várias vezes me tentei colocar na tua pele e por várias vezes senti que era uma tentativa inútil, vã, impotente, distante, remota…
Porque é que desististe?
Há dois anos quando te visitei pela primeira vez levei-te um livro … estavas composto, direito com algum esforço , senti … sorriste e disseste-me que não podias ler … fiquei sem reacção, quando te quis levar alguma coisa pensei no livro nem me lembrei que te era impossível desfolha-lo … pedi-te desculpa e li-o para ti …

Poderão os quilómetros separar-nos dos nossos amigos?
Poderá a distância separar-nos realmente dos amigos?
Se quiseres estar com alguém, não estarás já lá?
Encontrar-nos-emos de vez enquanto, sempre que quisermos, no meio da única festa que nunca poderá terminar …


"Richard Bach – Não há longe nem Distância"

Hoje, a caminho de casa lembrei-me destas palavras que te li naquele dia, e o que me custou o caminho para casa … as lágrimas que não sequei e que a este momento não consigo também secar …
Porque é que desististe?


Não espero que resistas muito, mas espero que a tua dor seja o mais curta possivél …

Sem ter culpa, peço-te desculpa por a vida ter-te sido tão madrasta e por o que fiz por ti não ser mais que uma pequena migalha dada com carinho a um pequeno passarinho que perdeu as asas …






terça-feira, 21 de abril de 2009

Caminha

Não olhes para trás, caminha e não olhes … não te arrependas … vá lá!

Vais ver que o tempo um dia esclarece-te as duvidas, quebra os temores, apagas as angustias, caminha não pares …

Tenta-me a ideia de te esclarecer que a história mesmo com personagens diferentes, incomuns até, repete-se … caminha … não olhes para trás!

Não desconfies, é verdade se te vires a caminhar em frente sentes-te a dar um passo, e não olhes para trás …

Se sentes que as folhas do teu livro se estão a desprender, que se podem perder, olha em frente e caminha, sem parar … a vida é um livro de escolhas, e escolher caminhar para a frente é uma escolha acertada, caminha, não pares …

Pediste-me ajuda não foi? … caminha, é a melhor ajuda que sei dar … desculpa se não te chega …

Reaparece-te a coerência, retoma-te a lucidez, vais ver … sem olhar para trás …
Questionas tudo!

Mesmo aos tropeções essa enxurrada de pensamentos e impressões empurram-te para um caminho … caminha para a frente … vá anda …

Não é nenhuma tragédia, não és errante, caminha só, concentra-te nisso vá, eu já te vejo a caminhar … não olhes para trás!

Não sei quem vais ter quando chegares … mas vais ter alguém isso vais, mesmo ao acaso, há sempre acasos na vida …e nos caminhos, mesmo que os caminhos não tenham direcção, vá caminha e não olhes…

Sim, estás permeável, vulnerável, mas isso não tem de ser mau … durante o caminho vai-te guiar …

Se caminhares para a frente amenizas a fuga … sabes que não precisas de fugir, só de caminhar … em frente

Quem te empurra para a saída dá-te a mão na chegada … caminha e não olhes para trás!




(sei que já chegaste ... não foi assim tão dificil!)