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quarta-feira, 16 de março de 2011

Tijolo

Hoje queria só dizer uma coisa, simples e que pode não fazer sentido para ninguém mas para mim faztodo o sentido ... se me devolverem brevemente uma resposta em forma de tijolo, eu fico muito muito muito feliz, uma felicidade de criança agarrada a um boneco de peluche que queria muito mas mesmo muito ter ...

Posso dizer que um tijolo por mais pequeno que seja far-me-á toda a diferença ...
É que com um tijolo só não se faz nada mas com dois já se vai construíndo qualquer coisa ...

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Ruinhas

Vagueava eu pelas estreitas ruas do meu pensamento, e sem querer acabei por ir parar aquelas ruinhas de Béchar onde só eu passo, onde só eu, desorientada, consegui passar … sempre que me aperta o pensamento a memória salta à minha frente e desata a correr, não a consigo apanhar mais, tento ganhar-lhe, apanha-la e devolvê-la mas já consigo … corre em franca vantagem. Eu consigo vê-la à minha frente e é ai que sem querer revejo os momentos …

E lá estava, mais uma vez com o coração a querer saltar-me boca fora, a sentir os pés a trilhar aquele sulco a meio da ruinha que nos faz saber que por ali, há centenas de anos passam centenas de pessoas e que por ali passam a saber para onde vão, e eu perdi-me por lá …

Sinto-me imediatamente descalça, só descalça encontro o caminho … são biosonares, por isso é que os mimo tanto …

Enquanto corro a respiração atrapalha-me o pensamento, atrapalhou-me … utilizar aqueles truques básicos de seguir o sol ali não resulta, mal se vê o sol, sente-se mas não se vê, as ruas são estreitas, quase tão estreitas como o meu pensamento … onde só cabe uma pessoa …

Agora estou só, e estou só com o pensamento e assim estou a salvo, mesmo que me sinta descalça, mesmo que sinta o sulco a meio da ruinha, mesmo que chegue a cada encruzilhada daquele labirinto … agora estou só em pensamento e portanto estou a salvo.
Aquele cheiro do chá do deserto invade-me os sentidos, se alguma coisa me cheira aquilo apalpo logo o terreno só para ter a certeza que o que está em presença é só o pensamento e a memória …

Ainda guardo o lenço azul que me cobria a cara, arrepia-me pegar nele mas fico aliviada já não tem tef tef, está lavado. Se me cruzo com ele quando abro a gaveta, as vezes, ainda vou ao espelho só para ter a certeza que foi nos olhos que leste que precisava de ajuda.




quarta-feira, 22 de abril de 2009

Desistir

Hoje, a caminho de casa por várias vezes esgotei a lágrima que queria cair … por várias vezes contive o brado que a minha alma estava pronta a dar, por várias vezes equacionei o porquê, por várias vezes me tentei colocar na tua pele e por várias vezes senti que era uma tentativa inútil, vã, impotente, distante, remota…
Porque é que desististe?
Há dois anos quando te visitei pela primeira vez levei-te um livro … estavas composto, direito com algum esforço , senti … sorriste e disseste-me que não podias ler … fiquei sem reacção, quando te quis levar alguma coisa pensei no livro nem me lembrei que te era impossível desfolha-lo … pedi-te desculpa e li-o para ti …

Poderão os quilómetros separar-nos dos nossos amigos?
Poderá a distância separar-nos realmente dos amigos?
Se quiseres estar com alguém, não estarás já lá?
Encontrar-nos-emos de vez enquanto, sempre que quisermos, no meio da única festa que nunca poderá terminar …


"Richard Bach – Não há longe nem Distância"

Hoje, a caminho de casa lembrei-me destas palavras que te li naquele dia, e o que me custou o caminho para casa … as lágrimas que não sequei e que a este momento não consigo também secar …
Porque é que desististe?


Não espero que resistas muito, mas espero que a tua dor seja o mais curta possivél …

Sem ter culpa, peço-te desculpa por a vida ter-te sido tão madrasta e por o que fiz por ti não ser mais que uma pequena migalha dada com carinho a um pequeno passarinho que perdeu as asas …