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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Ainda a Cerimónia

Estava eu (na noite antes da 2ª cerimónia de casamento dos amigos) a pregar aos outros amigos …
Defendia eu que não achava nada mal esta ideia de se casarem outra vez:


Eu- Eh pá mas se eles querem, se descobriram que fizeram merda da primeira vez e estão dispostos a tentar outra vez, qual é o problema??
A M – Cala-te com a lengalenga é preciso casar, juntavam-se e estava arrumada a história!
O P – Eu também não acho mal esta ideia, a probabilidade de estarmos aqui, juntos, a discutir merdas era muito menor!
A M – E se dá mal outra vez?
Eu – Deves ter muito a ver com isso …
O R – É bonito sim senhor, agora é de festa e lá estamos nós para limpar fundos!
O P – É bonito, e gajas vai haver à descrição?
A M – Gajas há sempre à descrição é preciso é saber comer …
Eu – A primeira todos caem … à 2ª só cai quem quer, e eles querem!
A M - … e à 3ª só já cai quem é parvo e nós estamos cá para passar o atestado!
Mas vocês acreditam no Pai Natal?
Eu – Estás aqui porquê? Porque acreditas em alguma coisa, pelo menos na amizade, não?
A M – Aproveito os bons momentos com os bons amigos que tenho! Mas não acredito puto no casamento, fantochada do catano! Acreditam que a molhada que vimos acontecer não distorce as cabeças? Porra, casamento?! Vocês acreditam nisso?
O P – Mas queres que fale de quê do casamento como instituição? F%&”-se é uma grande merda!
A P – Gajos já de meia idade, encalhados a falar …
O R – F%&”-se antes ser o Tolan a vida toda a casar-me … tenho mesmo jeito para estas merdas!
A M - Não tens é quem te queira pegar!
O R – gosto da teoria, pegar por umas horas e largar logo!
A P – Nunca na vida te vais casar, eu nunca na vida vou ter o prazer de te ver casado!
O P – Se algum dia essa besta se casar faço-lhe uma puta de uma despedida e o casamento há-de ser a liturgia dos anjos! Memorável o espectáculo! Não éramos capazes de nos vestir de anjinhos para reforçar a ideia que esta besta é um Santo??

Ahahhahahhaha

Isto foi um resumo da noite antes, sem sabermos os noivos tinham preparado algumas surpresas, e sem sabermos acredito que todos nós depois da cerimónia de casamento alteramos algumas ideias, alguns preconceitos. O casamento é uma celebração, este casamento foi a celebração da confiança, da amizade, da boa disposição, os noivos conseguiram emocionar até os mais resistentes!

Já ser à beira do mediterrâneo tem pelo menos 2 pontos a favor, não haver dress-code tem mais uns 4 pontos, os noivos chegaram de bicicleta arrebatou 6 pontos e a entrada ser ao som de I will survive - Gloria Gaynor, para além de por toda a gente a rir fez toda a gente ter vontade de começar a dançar … a mim que era a madrinha do noivo coube-me ler, coisa que adoooooro! Tremia das pernas e das mãos e quando começo a ler, não sabia se havia de rir se havia de chorar começava assim:

“Aproveitando a ocasião que aqui estamos tomos, vamos despachar isto que estamos cheios de vontade de dançar até largar os sapatos para um canto e cair estoirados no chão…”

É claro que a cerimónia foi informal, pelo civil, mas ainda assim não foram cumpridos quaisquer requisitos! Ainda bem!

No fim da noite já de regresso cruzaram-se estas palavras:

A P – Por este andar até o R se casa um dia destes!
O R – A ser assim caso-me com a garantia de que não é só uma vez!




Resolvi por este video, de um casamento real, que me apaixonou (podem chamar-me pirosa!), que me emocionou e que reflete o espirito que os noivos (meus amigos) conseguiram que também no casamento deles raiasse dos presentes, foi a celebração da amizade genuína!
É verdade dançamos até dia nascer e eu estive 2 dias sem me conseguir mexer das pernas!

Mais uma vez felicidades aos noivos.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Gueto

Sexta-feira fim de tarde:

- Olha lá vou em trabalho para Varsóvia podias vir comigo, tenho uma viagem que não vou usar, como vou estar a trabalhar não te vou melgar, e podes ir meter-te no teu gueto predilecto …
- Não posso, Domingo vou votar …
- Deves ganhar muito com isso!
- Não ganho nada, ganho só voz …
- Merdas …! Vinhas comigo e havia de ser muito mais divertido que ir votar, sabes bem que essa malta só corre para tachos querem lá saber do resto.
- Esse argumento não é válido para mim, foi um direito que custou muitas vidas a conquistar, reconheço-o, para além disso se não for votar perco a legitimidade de mandar vir …
- Há bom assim já estamos a falar como deve ser … contestatária!
- Além disso está a chover e prometi que não havia de ir a mais lado nenhum contigo ... quando estivesse a chover …
- Aahahaha pois até o tempo chora da cadência de disparates que fazemos juntos!
- Boa viagem …

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Excêntrico

Então ontem foi assim, foi-me solicitado no âmbito do meu trabalho que fosse buscar uma criatura ao aeroporto e que a acompanhasse durante o dia, embora se sugira nesta frase, eu não sou acompanhante profissional!

Tratei de perguntar como chegava eu à criatura, como saberia identifica-la, quais eram as referencias? A reposta foi complicada de tão simples “ foca-te na pessoa mais excêntrica que vires desembarcar … é ele!”, estou lixada pensei eu…!
A caminho ainda me ri de mim, comecei logo a imaginar-me a pantera cor de rosa, só não dei aquele duplo pulinho a andar porque para além de não saber era capaz de ser complicado fazê-lo com os enormes saltos altos que calçava!

6.58 a.m
Encontrava-me já comodamente instalada no aeroporto de Lisboa, com os olhos postos na porta de desembarque, o que sabia era pouco, senhor de meia idade, excêntrico, não sabia se era alto, baixo, magro, gordo … não sabia nada, era excêntrico. Mr. Benson … o nome. É que nem sabia de onde vinha a criatura se de Madrid se de Jaipur …
Enquanto esperava deitei-me a pensar que estavam a gozar comigo, o meu colega, que até é uma pessoa de poucas graçolas, no dia de ontem estava armado à graçola e eu, tal qual pato bravo tinha caído e estava ali com o tema da Pantera cor de rosa na cabeça, numa missão de encontrar o Mr. Benson, o excêntrico. Sucediam-se pessoas na saída e eu a cada vez que surgia uma pessoa de sexo masculino pensava, ora deixa cá ver se tem alguma característica particular ou se é normal … um e outro e outro, este não que é novo demais, este não que vem acompanhado (mas ninguém disse que viria sozinho!!), este também não que é normal, ora aqui esta um exemplar para analisar um tipo de 40 e tal mas que aparenta menos, chinelos, ar te férias meio cabeça no ar … pode ser ah não, acenou lá para o fundo, não é este.

7.25 a.m
Nada de novo …
Mais um, dois, meia dúzia … nada, eu já estava a ficar impaciente e a duvidar da minha capacidade de observação, querem ver que a criatura já chegou, já se montou num táxi e eu aqui à espera do amanhã … não pode ser, eu teria visto, tenho analisado todos, daria com ele. Com isto pensei, mas o que é que será excêntrico para o meu colega?? Se calhar não é o mesmo que é para mim … detive-me 2 ou 3 minutos neste pensamento. Ora excêntrico é excêntrico. Não há que enganar!

7.45 a.m
Nada …
Não me posso distrair. Com o passar dos minutos já me estava a dispersar e a fazer o exercício da família, este é casado com aquela, que tem ali aquela irmã à espera e vem de não sei de onde … faço isto tantas vezes, mas hoje não posso, Mr. Benson, focar-me no homem excêntrico!
Só pode ser este! Ai mas só pode mesmo, engoli uma estridente gargalhada e dirigi-me a ele …

- Mr. Benson?
- Yes it’s me …
- wouldn't be suspicious!...

É claro que o meu colega não estava a gozar comigo e é claro que era simples saber quem a criatura era … e eu continuava a tentar engolir a gargalhada, desta feita à minha conta, que insistia em querer sair.

O Mr. Benson, uma figura, alta, muito magra com um ar ligeiramente empertigado e arrogante, mas simpático dentro do possível. Apresentou-se de fato em xadrez príncipe de Gales, camisa branca e gravada em rosa choque, os sapatos uma pequena maravilha, pretos com uma aplicação de pêlo branco e preto na parte de cima e com um evidente salto, para além disso usava um monóculo, que diga-se de passagem é uma coisa muito actual … eu pensei “temos Eça!”.

E lá partimos rumo aos compromissos que tínhamos agendados para o dia todo … e percebi naquele momento que o motorista e o carro recomendado faziam todo o sentido …

Durante todo o dia fui presenteada com um humor lancinante e voraz sobre vários aspectos, desde a enchente de painéis publicitários sobre o tema Europeias, que invade cada metro quadrado da cidade de Lisboa “Did they open a line to vote?”, à vontade que o Sr. teve de ir beber a famosa Ginginha no Rossio, sendo que quem conhece a zona sabe que ali em particular conseguem ver-se mais pessoas de cor que pessoas brancas “this zone was granted to any african country?” … muito bem passado …