Vagueava eu pelas estreitas ruas do meu pensamento, e sem querer acabei por ir parar aquelas ruinhas de Béchar onde só eu passo, onde só eu, desorientada, consegui passar … sempre que me aperta o pensamento a memória salta à minha frente e desata a correr, não a consigo apanhar mais, tento ganhar-lhe, apanha-la e devolvê-la mas já consigo … corre em franca vantagem. Eu consigo vê-la à minha frente e é ai que sem querer revejo os momentos …
E lá estava, mais uma vez com o coração a querer saltar-me boca fora, a sentir os pés a trilhar aquele sulco a meio da ruinha que nos faz saber que por ali, há centenas de anos passam centenas de pessoas e que por ali passam a saber para onde vão, e eu perdi-me por lá …
Sinto-me imediatamente descalça, só descalça encontro o caminho … são biosonares, por isso é que os mimo tanto …
Enquanto corro a respiração atrapalha-me o pensamento, atrapalhou-me … utilizar aqueles truques básicos de seguir o sol ali não resulta, mal se vê o sol, sente-se mas não se vê, as ruas são estreitas, quase tão estreitas como o meu pensamento … onde só cabe uma pessoa …
Agora estou só, e estou só com o pensamento e assim estou a salvo, mesmo que me sinta descalça, mesmo que sinta o sulco a meio da ruinha, mesmo que chegue a cada encruzilhada daquele labirinto … agora estou só em pensamento e portanto estou a salvo.
Aquele cheiro do chá do deserto invade-me os sentidos, se alguma coisa me cheira aquilo apalpo logo o terreno só para ter a certeza que o que está em presença é só o pensamento e a memória …
Ainda guardo o lenço azul que me cobria a cara, arrepia-me pegar nele mas fico aliviada já não tem tef tef, está lavado. Se me cruzo com ele quando abro a gaveta, as vezes, ainda vou ao espelho só para ter a certeza que foi nos olhos que leste que precisava de ajuda.
A FORÇA prevalece sobre o Direito . O bio-poder
Há 5 semanas