Extrablatt - Marrakech Fui ali apanhar sol ... Apanhei-o e trouxe-o comigo ... Partilho com quem merecer ... Precisava de Sol ... Do Sol ... De o deixar falar ... De o deixar rir ... Riu-se de mim ... Ele riu-se porque tive um ano e tal sem o ver ... Sol já te vi ... Voltei a ver-te ... Voltei a encontrar-te ...
O primeiro momento em que me recuperei e te vi surgir das trevas veio por “sms” e de longe, tão longe como estás agora …
Tu - “Em 2010 vou Found What I'm Looking For …” Eu- “2009 não está a ser famoso” Tu – “ter 2 bilhetes para os U2 dá-te alguma ideia?” Eu- “filho da mãe, como é que conseguiste?” Tu – “Se fosse tudo assim tão fácil…” Eu – “perdia a graça, diverte-te no concerto!” Tu – “Uma para mim outro para ti …” Eu – “Já achei mais graça aos U2 …” Tu- “Eu também …” Eu – “Estupor!”
The Unforgettable Fire - U2 (continua a ser esta?)
Foram apenas 5 minutos, e hoje o que me parece pouco pareceu-me, no momento, o tempo suficiente, não me pareceu muito … mas foi o bastante … A música num tom suave, escoava-se a partir de um ponto indefinido num espaço indefinido. Consegui ouvir, não se sobrepondo à música, uma voz feminina, macia, ritmo lânguido, falava de amor e de algum problema que lhe tinha surgido no momento. Eu sem querer perceber o que é que estava ali a fazer e como é que ali tinha ido parar concentrei-me em perceber o que dizia aquela voz que ouvia, só dando conta que falava uma outra língua alguns minutos depois de tentar concentrar-me no que ouvia … Nesse momento inquietei-me e o meu pensamento flutuou, tentava tactear o espaço, reconhecer alguma coisa…
A melodia era familiar…
Foquei um pequeno rectângulo mais claro que despejava uma luz difusa o meu objectivo era perceber que horas seriam … havia uma cadeira com roupas atiradas em cima a música chegava aos acordes finais. Forcei o pensamento na expectativa de me situar … e foi ai que ouvi “Xa está feito non Preme en nada sae “... percebi onde estava e fui tomada pela dor …
Despertei por completo, já no carro um locutor com voz animada dava as horas e festejava o início de um dia ensolarado eram 7:22 a.m…
Já lúcida, o sol era o que não queria ver. Dormir novamente, morrer, quem sabe!
Nunca mais despertar, nunca mais olhar para rostos estranhos que via sem ver, acabar com a dor, uma dor que persiste, persiste, e resiste a todas as manobras que tento para continuar a reagir. Uma dor que dá tréguas curtas para voltar mais forte logo depois e dizer que a única realidade é aquela e que afinal até fui eu que escolhi!!!
Foi o primeiro fôlego dos 3 que precisei para seguir outro caminho …