Pronto!
Foi longe que te voltei a ver e foi longe que nos vimos e de longe que nos sentimos.
E sabes tu, tão bem como eu que o que sabemos é o que sabemos e que por muito que corram outras pessoas, estão a anos luz do que nós sabemos mesmo que estejam ali ao lado … e naquela tua maneira de falar dizes “I got my fun”!
Eu sei que o que vês é de longe o que não se vê, o que eu vi foi de longe o que esperei ver, é um misto de felicidade, saudade, arrependimento, é outra vida que parou ali no momento em que resolvemos que ficava por ali…
Se a escolha foi a melhor …?
Não sei nem é isso que me move para voltar a ver o sorriso que me trouxe esperança … não foi uma fase boa para nenhum dos dois, mas foi uma fase necessária, a mim fez-me falta a tua presença quase devastadora e agora confesso que as horas de voo apesar de poucas pareceram-me uma eternidade, roí as unhas e ia com um frio na barriga que tentava por tudo disfarçar … e, quando te vi depois destes anos todos pareceu-me que foi ontem a ultima vez que te vi em Columbus Av. … sabes que o gesto característico de segurares o cigarro não alterou um único milímetro?
Foi essa a imagem que guardei e foi com essa imagem que te vi ao longe e te reconheci.
Agora a imagem que guardo até há próxima vez é a mesma só que desta feita o cenário é a Duomo de Milão!
Até breve.
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terça-feira, 17 de novembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
...
Hoje, foi-se um bocadinho de mim ...
Das minhas recordações, das minhas lembranças ...
Estou triste e não sei o que te dizer para te confortar ... esta é a música que sempre escolhemos e cá está ela ... sou eu que te vou buscar e não sei o que te vou dizer ... espero que um abraço contenha todas as palavras que a voz embargada não vai conseguir dizer ...
Das minhas recordações, das minhas lembranças ...
Estou triste e não sei o que te dizer para te confortar ... esta é a música que sempre escolhemos e cá está ela ... sou eu que te vou buscar e não sei o que te vou dizer ... espero que um abraço contenha todas as palavras que a voz embargada não vai conseguir dizer ...
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Surpresa
De há uns dias para cá um amigo de longa data tem insistido que precisa de falar comigo, que tem uma coisa importante que queria partilhar comigo. Entre este e aquele compromisso não tenho podido assistir a vontade dele e tenho declinado os convites para almoçar. Hoje perto da hora do almoço foi-me adiado um acto e fiquei com um “furo” de 2 horas para almoço, liguei-lhe para irmos almoçar. Combinamos na Cinemateca e em poucos minutos lá estávamos os dois. A cinemateca é um local muito agradável para almoçar, para estar, um oásis na cidade, como não se vê a rua, o reboliço da cidade fica distante …
Sentamos na esplanada do pátio interior, reparei que ele estava com um tom solene e comecei a ficar preocupada, ligeiramente nervosa até:
- Mas olha lá o que é que se passa, já estou aflita!? Estás doente?
- Não, já te conto, vamos servir-nos lá dentro
- Olha que não gosto deste compasso de espera, estás a preparar-me ou o quê? Vais ser pai??
- Não
- Vais trabalhar para fora?
- Não
- Não aguento tanto suspense …
(sentámos entretanto …)
- Em primeiro lugar queria muito agradecer-te
- A mim? Porquê?
- Foste a minha inspiração, deste-me um abanão no momento certo, tu que tens pouco mais de metro e meio fizeste-me sentir um nada …
- Eu? Quando?
- Lembraste quando em Novembro me encontraste na noite, e me seguiste com o olhar a noite toda, de longe … e à saída eu apresentei-te a minha amiga … e tu chamaste-me à parte e disse-te “ Não insistas em gostar de quem não sabe gostar de ti!”
- Tenho uma vaga ideia …
(Neste momento detive-me, ouvi um STOP, deixei de o ouvir, senti-me a planar no pensamento, ausente, vazia, despojada, distante, saqueada, divaguei sobre mim mesma … rodopiei por ali, ouvi o vento, ouvi o mar, ouvi vozes muitas vozes, os olhos arrasaram de agua, vi imagens a passarem ao meu lado, um calor imenso parecia que tinha a cabeça a arder, fechei os olhos e vi … foram segundos, fiz um esforço para me concentrar e voltei à terra!)
- Pois então, pensei dias a fio sobre isso e resolvi casar-me! Outra vez!
- Vais casar-te outra vez?
- Sim vou-me casar e desta vez de consciência, e quero que sejas a madrinha porque em grande parte foste tu que me abriu os olhos … pensei dias e dias no que me disseste, no que tiveste a coragem de me dizer. Agradeço-te de coração.
- Não tens que agradecer nada, só quero que sejas feliz e naquele dia não te vi feliz, vi-te usado. Não gostei de te ver … E vais casar com a amiga que me apresentaste?
- Não vou casar com outra …
- Como se chama?
- M.
- M.?? Não baste ires casar outra vez como escolheste uma noiva com o mesmo nome da tua primeira mulher?
- Não estás a perceber, eu vou casar com a M., outra vez …
- rsssss estupor! Venha a festa!
(…)
Como é que eu, em certa altura, tive a clareza de espírito de dizer a alguém de quem eu gosto muito uma frase que hoje teve para mim um efeito de raio … fiquei fulminada com o que disse hà uns meses a trás!
“Não insistas em gostar de quem não sabe gostar de ti!”
Hoje acrescento, não insistas em gostar de quem não sabe, não quer ou não gosta de gostar de ti, ou simplesmente de quem não gosta de ti!
Ás vezes é assim detemo-nos a gostar muito de alguém, e simplesmente não vale o esforço, não é que a pessoa não valha o esforço, o esforço é que não vale, porque é em vão …
Não chega gostar. Não me chega eu gostar. Não é suficiente um gostar.
Onde é que eu tinha a cabeça para ousar sair da minha protecção?
Onde é que eu tinha a cabeça para achar que chega gostar?
Onde?
Ainda me conservei por algum tempo a tentar achar uma explicação, a encontrar um argumento, a justificar … a justificar-me …
Ainda alvitrei saber como é que o que foi uma emoção num passado recente não é mais que um incómodo dias depois … eu como não digo o que não sinto faz-me confusão, não encontro explicação, se não sinto não digo, ponto final. Se sinto nem sempre digo, mas quando digo é porque sinto muito …
E agora digo para mim “Não insistas em gostar de quem não sabe gostar de ti, não quer ou não gosta de gostar de ti, ou simplesmente de quem não gosta de ti!”, vou repetir até estar convicta …
Senti muito e agora sinto muito!
Sentamos na esplanada do pátio interior, reparei que ele estava com um tom solene e comecei a ficar preocupada, ligeiramente nervosa até:
- Mas olha lá o que é que se passa, já estou aflita!? Estás doente?
- Não, já te conto, vamos servir-nos lá dentro
- Olha que não gosto deste compasso de espera, estás a preparar-me ou o quê? Vais ser pai??
- Não
- Vais trabalhar para fora?
- Não
- Não aguento tanto suspense …
(sentámos entretanto …)
- Em primeiro lugar queria muito agradecer-te
- A mim? Porquê?
- Foste a minha inspiração, deste-me um abanão no momento certo, tu que tens pouco mais de metro e meio fizeste-me sentir um nada …
- Eu? Quando?
- Lembraste quando em Novembro me encontraste na noite, e me seguiste com o olhar a noite toda, de longe … e à saída eu apresentei-te a minha amiga … e tu chamaste-me à parte e disse-te “ Não insistas em gostar de quem não sabe gostar de ti!”
- Tenho uma vaga ideia …
(Neste momento detive-me, ouvi um STOP, deixei de o ouvir, senti-me a planar no pensamento, ausente, vazia, despojada, distante, saqueada, divaguei sobre mim mesma … rodopiei por ali, ouvi o vento, ouvi o mar, ouvi vozes muitas vozes, os olhos arrasaram de agua, vi imagens a passarem ao meu lado, um calor imenso parecia que tinha a cabeça a arder, fechei os olhos e vi … foram segundos, fiz um esforço para me concentrar e voltei à terra!)
- Pois então, pensei dias a fio sobre isso e resolvi casar-me! Outra vez!
- Vais casar-te outra vez?
- Sim vou-me casar e desta vez de consciência, e quero que sejas a madrinha porque em grande parte foste tu que me abriu os olhos … pensei dias e dias no que me disseste, no que tiveste a coragem de me dizer. Agradeço-te de coração.
- Não tens que agradecer nada, só quero que sejas feliz e naquele dia não te vi feliz, vi-te usado. Não gostei de te ver … E vais casar com a amiga que me apresentaste?
- Não vou casar com outra …
- Como se chama?
- M.
- M.?? Não baste ires casar outra vez como escolheste uma noiva com o mesmo nome da tua primeira mulher?
- Não estás a perceber, eu vou casar com a M., outra vez …
- rsssss estupor! Venha a festa!
(…)
Como é que eu, em certa altura, tive a clareza de espírito de dizer a alguém de quem eu gosto muito uma frase que hoje teve para mim um efeito de raio … fiquei fulminada com o que disse hà uns meses a trás!
“Não insistas em gostar de quem não sabe gostar de ti!”
Hoje acrescento, não insistas em gostar de quem não sabe, não quer ou não gosta de gostar de ti, ou simplesmente de quem não gosta de ti!
Ás vezes é assim detemo-nos a gostar muito de alguém, e simplesmente não vale o esforço, não é que a pessoa não valha o esforço, o esforço é que não vale, porque é em vão …
Não chega gostar. Não me chega eu gostar. Não é suficiente um gostar.
Onde é que eu tinha a cabeça para ousar sair da minha protecção?
Onde é que eu tinha a cabeça para achar que chega gostar?
Onde?
Ainda me conservei por algum tempo a tentar achar uma explicação, a encontrar um argumento, a justificar … a justificar-me …
Ainda alvitrei saber como é que o que foi uma emoção num passado recente não é mais que um incómodo dias depois … eu como não digo o que não sinto faz-me confusão, não encontro explicação, se não sinto não digo, ponto final. Se sinto nem sempre digo, mas quando digo é porque sinto muito …
E agora digo para mim “Não insistas em gostar de quem não sabe gostar de ti, não quer ou não gosta de gostar de ti, ou simplesmente de quem não gosta de ti!”, vou repetir até estar convicta …
Senti muito e agora sinto muito!
domingo, 3 de maio de 2009
A escolha
A ESCOLHA é irónica, trocista, sarcástica e mordaz. O prazer de Aprender que se tem de escolher, que não se pode ter duas coisas ao mesmo tempo é um sinal preciso do carácter trágico da vida que consiste no simples facto de, se uma coisa não se concilia com outra, tem de haver escolha!
A consequência é simples mas é derradeira, renuncia-se a umas coisas para se “ter” outras …
Há dias falava com uma pessoa que me é muito especial, resvalamos na escolha e ele disse-me “é muito bom ter escolha não é!?”, eu confirmei, sim é bom ter escolha, mas é uma ironia ter de escolher. Se se tem de escolher é porque ambas as hipóteses se apresentam como potenciais opções e ter de escolher ainda que nos dê o império da preferência empurra-nos para a ironia do sensato …
“Liberdade não é poder escolher entre preto e branco mas sim abominar este tipo de propostas de escolha”
Theodore Adorno
Eu gosto de ter para escolher mas não gosto de ter de escolher … mas, como toda a gente, sou obrigada a escolher diariamente sobre tantas opções que se me apresentam na vida, umas insignificantes que se prendem com coisas banais do dia a dia, outras mais duras que abraçam sentimentos, vontades, desejos, quereres …
O processo de escolha - de aceitação por um lado e de rejeição pelo outro – acompanha-nos sempre a cada passo e a cada impasse.
Eu escolhi não escolher, não me sentir desafiada, nem sequer senti vontade de saber se tinhas voltado … se voltaste foi porque escolheste voltar, eu escolhi ficar com o meu livro a esventrar ao meadros da CIA, legado de cinzas pela mão do Tim Weiner …
Foi uma escolha inteligente?
Não sei. Não quero saber.
A minha não escolha foi a escolha que fiz no momento em que me lançaste o desafio, acabei por não te ligar hoje … ligo-te amanhã para saber se estás bem, se já chegaste …
Uma escolha inteligente implica um sentido realista dos valores e das proporções e esta é a minha actual realidade. Garanto-te que exige um profundo conhecimento do que fui, do que sou e do quero e quero ser!
O destino é a seara que cresce da semente da escolha …
A consequência é simples mas é derradeira, renuncia-se a umas coisas para se “ter” outras …
Há dias falava com uma pessoa que me é muito especial, resvalamos na escolha e ele disse-me “é muito bom ter escolha não é!?”, eu confirmei, sim é bom ter escolha, mas é uma ironia ter de escolher. Se se tem de escolher é porque ambas as hipóteses se apresentam como potenciais opções e ter de escolher ainda que nos dê o império da preferência empurra-nos para a ironia do sensato …
“Liberdade não é poder escolher entre preto e branco mas sim abominar este tipo de propostas de escolha”
Theodore Adorno
Eu gosto de ter para escolher mas não gosto de ter de escolher … mas, como toda a gente, sou obrigada a escolher diariamente sobre tantas opções que se me apresentam na vida, umas insignificantes que se prendem com coisas banais do dia a dia, outras mais duras que abraçam sentimentos, vontades, desejos, quereres …
O processo de escolha - de aceitação por um lado e de rejeição pelo outro – acompanha-nos sempre a cada passo e a cada impasse.
Eu escolhi não escolher, não me sentir desafiada, nem sequer senti vontade de saber se tinhas voltado … se voltaste foi porque escolheste voltar, eu escolhi ficar com o meu livro a esventrar ao meadros da CIA, legado de cinzas pela mão do Tim Weiner …
Foi uma escolha inteligente?
Não sei. Não quero saber.
A minha não escolha foi a escolha que fiz no momento em que me lançaste o desafio, acabei por não te ligar hoje … ligo-te amanhã para saber se estás bem, se já chegaste …
Uma escolha inteligente implica um sentido realista dos valores e das proporções e esta é a minha actual realidade. Garanto-te que exige um profundo conhecimento do que fui, do que sou e do quero e quero ser!
O destino é a seara que cresce da semente da escolha …
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